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Atlético-MG atinge 100 mil sócios adimplentes e foca em reformulação para 2022
19/11/2021 21:30 em Esporte

O programa de sócio-torcedor do Atlético-MG, o Galo na Veia, chegou a marca de 100 mil adimplentes nesta semana, número que, em março de 2020, no início da crise sanitária provocada pela pandemia do Covid-19 no Brasil, era de 22 mil inscritos. Mais precisamente, hoje são 107 mil sócios-torcedores que buscam interação, benefícios e ingressos através das assinaturas. E o programa está prestes a ser reimaginado.

O objetivo é aumentar não só o número de associados, mas especialmente o "ticket médio" (média de valor gasto mensalmente por torcedor), que era de cerca de R$ 15 em março de 2020 e agora se aproxima dos R$ 30. No atual momento, o Clube foca em uma reestruturação.O crescimento em um período com paralisação total de futebol - e depois com jogos sem público - aconteceu pela mudança da visão de que o sócio-torcedor é um programa essencialmente relacionado a descontos ou de acesso a ingressos. E, por isso, a reformulação.

Reginaldo Diniz, CEO da End to End, que gerencia o programa do Atlético-MG, explica: “O Galo na Veia não é tão recente, mas tinha acabado de ter um "rebranding" (alteração de marca e identidade visual) em março. Estava mais popular, com ticket médio mais acessível e, diferente da maioria dos programas que são lastreados em ingresso, se tornou um grande programa de relacionamento e ativação.” e ainda continuou explicando que “A pandemia provocou um pensamento disruptivo dos clubes, e talvez o Atlético-MG tenha surfado melhor essa onda de entender que um programa de sócio-torcedor é muito mais um programa de relacionamento do que um lugar na fila com prioridade para comprar ingressos.”Em números, o clube passou de uma receita de R$ 9.5 milhões com sócios-torcedores em 2020 e deve fechar 2021 com cerca de R$ 14 milhões.

 

Porém, existe um detalhe, como ressalta o diretor de marketing do Atlético-MG, Renan Cavalcanti: "A conta que fazemos é: as pessoas entraram mais para o final do ano, isso significa que joga a receita mais para o ano que vem do que para este ano. Então a minha receita no ano que vem está mais garantida do que a deste ano. Eu já tenho mais dinheiro garantido para o ano que vem do que neste ano. Considerando se tiver zero renovações. É um número que para nós é muito representativo. Para o ano que vem, queremos crescer mais do que esses 50% - finalizou Cavalcanti.

O foco do Clube agora é atingir quem está bem distante do Mineirão. O Galo lançará em breve um programa destinado aos torcedores que moram fora do país. Além disso, o plano mais caro do clube hoje passará por reformulação e ainda há outras modalidades de assinatura já alinhadas, mas ainda sem datas de lançamento definidas.

Outro ponto preponderante a considerar na reformulação do Galo na Veia é a previsão de inauguração do novo estádio do clube dentro de pouco mais de um ano. Haverá planos focados especificamente em quem é frequentador assíduo dos jogos e outros para quem não pode comparecer, seja por questões financeiras ou logísticas.“São dois pilares. O cara vai entrar na emoção, se o time for bem. A torcida entra no momento positivo. Mas tenho que reter esse cara na ação. Porque o time de repente passa a não ganhar, vai sair todo mundo? Não pode. Então tem de haver uma coisa racional de que faz sentido ser sócio. Por exemplo, uma sócia compra uma câmera com R$ 1 mil de desconto, já paga três anos do plano dela. Aí faz sentido se associar, é isso que quero.”

Em tempos de fechamento de orçamento, as metas são discutidas, mas não estão estabelecidas. A deste ano já foi superada.

“Estamos rediscutindo porque atingimos esse número esta semana. Vamos discutir, 130, 150 mil caras, mas vou ter um desafio de "ticket" maior do que desafio de base.”

Reginaldo Diniz, CEO da End-to-End explica a conta que faz para que os clubes tenham uma rentabilidade satisfatória com programas de sócio-torcedor.

Para ele “Tem público para tudo, mas os clubes ainda têm um espaço grande para buscar vender o seu produto com ofertas diferentes para públicos diferentes. Eu perseguiria entre 0,8% e 1% (de associados em relação ao tamanho da torcida), para todos os clubes do Brasil. Você vai ter uma receita que corresponderá a quase 20% do seu balde, de grana garantida no seu caixa, vinda do torcedor. Fica super rentável, mais do que confortável.”Mas nem tudo é positivo. Com o rápido aumento na base de associados, vieram também os problemas no atendimento a esses sócios e críticas. A resposta do clube está sendo implementada.

A resposta de Diniz é que “A gente tem recebido, e com razão, muito bombardeio da torcida em relação ao atendimento. Então estamos reestruturando e para semana que vem vamos mais do que dobrar a equipe. De fato, não estamos dando conta. E estamos trazendo tecnologia. O Atlético já entendeu que, se não colocar tecnologia, não adianta colocar 100 pessoas em um "call center" - afirma Cavalcanti, que também está implementando atendimento com inteligência artificial via WhatsApp para auxiliar e aliviar os canais convencionais.”

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